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Michael de Certeau

Os textos “Relatos de espaço” e “Caminhadas pela cidade” são referentes a capítulos do livro “A intervenção do cotidiano”, escrito por Michel de Certeau em 1980.

De maneira geral, Certeau analisa situações cotidianas e as transformam a partir de então. Altera desde coisas pequenas, como objetos de uso rotineiro a planejamentos urbanos.

O livro como um todo reconsidera as teorias e fragmentos de Kant e Wittgenstein com Bourdieu, Foucault, com o intuito de construir um novo modelo teórico.

Certeau discute a definição de espaço e lugar, e chega à conclusão de que “lugar” é um ambiente que ainda não sofreu nenhuma experiência pessoal e que ele se torna “espaço” a partir do momento em que é vivenciado.

A função do relato é descrever, transformando o espaço em lugar ou o lugar em espaço. Isso ocorre a partir dos pontos de vista, análises e metáforas feitas pelo presenciador, que faz com que seu ouvinte, mesmo sem presenciar fisicamente o ambiente o imagine. Os relatos são tidos como descrições delinquentes pois não estão focados no real, como os mapas, e sim na narração feita a partir de uma vivência.

Além de lugar e espaço, Certeau também descreve a concepção de mapas e percursos. O mapa se trata de uma descrição reduzida a partir da observação feita de um local, enquanto o percurso consiste na séria mínima de caminhos/comandos aos quais se pode seguir para chegar a um lugar. O percurso é uma descrição mais detalhada e utiliza como embasamento elementos do mapa.

O conceito de demarcações consiste na composição de um relato. Ele é caracterizado como uma narrativa multiforme devido as suas várias formas de abrangência, através da fala ou até pelo teatro, e suas posteriores análises.

Certeau também analisa e critica o ato de caminhar pela cidade. Através de uma narração ele explica como essa ação nos possibilita conhecer o sistema topográfico do local (assim como a prática de falar, que nos concede novas palavras).

Também alega que essa observação muitas vezes passa despercebida devido à pressa no caminhar diário. Atesta que essa prática é como “tecer um texto”, pois vivenciar a cidade é como interpretar palavras que descrevem o local. Porém, essa experiência única de vivenciar um espaço nos leva a ter um olhar atento, pois a cada esquina que viramos, cada rua que atravessamos e cada calçada que descemos, de alguma forma se torna novo. O percurso caminhado nunca é o mesmo. Cada olhar e cada lugar carregam consigo histórias que tornam a sua interpretação única.

Referências 1 - 2

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